sexta-feira, 7 de junho de 2013

Pesquisar, saber como escrever e se comunicar, esse é o jornalista de hoje

Professor Dr. Marcos Santuário da Feevale
Foto: Jonatan Trindade
Melhor do que aprimorar o conhecimento através da pesquisa, é poder compartilhar com outras pessoas tudo que foi absorvido. E foi assim que aconteceu no Intercom Sul, realizado na Unisc do dia 30/05/13 à 01/06/03, onde diversos trabalhos nas mais diversas categorias e temas envolvendo comunicação pode ser mostrado ao público. Tive a excelente experiência de participar do congresso como voluntário, onde auxiliei o Prof. Dr. Marcos Santuário, da Feevale de Novo Hamburgo, nos dois dias de evento e onde também presenciei discussões únicas sobre os mais diversos temas relacionados ao jornalismo.
Perguntei ao professor sobre a importância para um acadêmico, doutorando ou mestrando mostrar ao público sua pesquisa, seu objeto de estudo e ele foi enfático ao dizer que “a exposição pública do pensamento individual é fundamental para rever conceitos possíveis de serem ampliados, e ao mesmo tempo na relação com outros trabalhos apresentados, enriquecer seus próprios conceitos”, pois ele acredita que assim, o pesquisador enriquece o próprio olhar com pontos de vista de outras pessoas.
Marcos também falou sobre o campo de pesquisa na área da comunicação, que é relativamente novo, pois há outras áreas onde ela já é feita a muito tempo, até por serem áreas mais antigas. “A pesquisa, para nós comunicadores, é fundamental em todas as áreas de nossa atuação, e devemos aprimorar esse olhar de pesquisador, aberto ao novo, procurando além do censo comum e trazendo da profundidade novos elementos, até então desconhecidos” complementa ele.
Marcos enfatiza que nos dias de hoje, “um bom jornalista precisa ser multimídia, ter o domínio de todas as ferramentas midiáticas, pois até um tempo atrás isso era diferencial, hoje é fundamental”. Multimidialidade é uma palavra difícil e cada vez mais essencial para os jornalistas, pois devemos saber onde escrever, como escrever e em qual momento fazê-lo, com imagens e palavras sonoras, todas ao mesmo tempo.


A criança nas mídias

Caroline Pilger apresentando sua tese
Foto: Paola Salles
O quanto à mídia influencia em nossas vidas? E quem é mais sugestionável, os adultos ou as crianças? Foi com a temática, criança, consumo e mídia, que a mestranda Caroline Roveda Pilger apresentou sua tese sobre “A criança nas Páginas do Jornal: um estudo sobre consumo, jornalismo  e cultura infantil.” É um assunto delicado, que divide opiniões e requer atenção, pois alguns não percebem estar sendo influenciados pela mídia. Há várias matérias e vem crescendo os estudos sobre o tema criança e consumo, e com esse olhar crítico, que a mestranda decidiu dedicar-se à pesquisa.
Caroline conta que o assunto foi seu trabalho de conclusão da graduação, e que decidiu aprofundar-se agora durante o mestrado. Ela afirma que “consumo está atrelado á criança de uma forma muito significativa, pois crianças são suscetíveis, e com a facilidade do acesso às mídias”, e percebendo esses aspectos, ela desenvolveu o interesse pelo tema infância, consumo e jornalismo, sendo que a publicidade trata a criança de uma forma, mas ela queria ver pelo lado jornalístico a forma de tratamento.
“Há formas diferentes de tratamento da mídia em relação à criança, num momento de uma forma adulta e esperta, e em outro momento, de forma inocente”. Segundo Caroline, há várias infâncias retratadas pelas mídias, e que devemos ter o cuidado ao falar do assunto, para não se tornar algo banal, pois nós jornalistas temos um enorme responsabilidade social. Ela ainda faz uma observação “Na Idade média, as crianças eram tratadas como mini adultos, pois não existia um cuidado com a infância, e hoje isso volta à acontecer, porém há o cuidado com ela”. Mas fica uma dúvida, as crianças de hoje, realmente são mais maduras ou mais informadas, será que elas apenas repetem atitudes que veem e ouvem ou elas entendem mesmo tudo isso? Fica a reflexão.

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O evento que poucos veem



O evento que poucos veem

Mirtô Villanova, monitora da Agência A4 da Unisc
Foto: arquivo pessoal
O Intercom Sul foi só elogios, tanto pelas redes sociais quanto pelos corredores da Unisc, desde a recepção até a festa de encerramento, as pessoas só comentavam “Está tudo muito organizado”, ou “pena que tá acabando”. A comissão organizadora se empenhou muito para que tudo corresse da melhor forma possível, e para entender um pouco do processo de preparação, conversei com a acadêmica de Publicidade e propaganda, monitora da Agência A4 de Comunicação, Mirtô Beatriz Villanova, que fala sobre a organização, as dificuldades e o resultado final.
Mirtô era responsável pelo Expocom, uma subdivisão do Intercom, onde eram apresentados trabalhos experimentais desenvolvidos pelos alunos durante sua graduação. Ela já havia participado auxiliando na organização de outros congressos, porém essa foi a primeira vez que teve tanta responsabilidade junta. “E, sinceramente, foi uma sensação única, muitas coisas diferentes que ocorrem e podem mudar todo o padrão dos eventos” declara ela. 
Segundo ela, a preparação para o evento já vinha desde 2012, quando foram à Chapecó participar do evento e observaram coisas que poderia fazer igual ou aprimorar. “Como ficamos observando tudo o que acontecia, vimos muitos acertos que poderíamos fazer parecidos, e algumas coisas que preferíamos melhorar aqui”. Mirtô avalia o evento como um ensinamento e ressalta a importância de “conhecer gente nova e da troca de experiência pessoal, pois se ganha muitos conhecidos e as pessoas são elas mesmas, não um nerd que tira 10 em um trabalho, ou o cara do 8º semestre, mas lá todo mundo é comunicador”.
No vídeo ao lado, podemos ver a divulgação do Intercom Sul 2014, feita durante o a edição desse ano. O evento ocorre em Santa Catarina, na Unisul e é mais uma oportunidade de conhecimento, interação e trocas.


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A criança nas mídias

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Quando o leite se torna um inimigo


Um dos assuntos mais comentados essa semana é o leite. Descoberta uma fraude que envolvia o processo de produção, esse alimento fundamental para alimentação de alguns, e um grande inimigo de outros. Mas até que ponto o leite é necessário, e para aqueles que têm rejeição ou alergia a ele e seus derivados, como é a alimentação, o processo de adaptação, sendo que boa parte do que consumimos possui lactose? E o que é verdade e mito sobre ele?Surge uma questão polêmica e divisora de águas.

A Nutricionista Cristina Zambarda fala sobre a intolerância à lactose, sintomas e cuidados que os pacientes devem tomar para que esse quadro se agrave. “Intolerância à lactose ocorre quando o intestino delgado não produz enzima lactase suficiente, ou seja, não quebra a lactose, impedindo que o organismo absorva os nutrientes do leite”, explica ela.
A nutricionista explica que quando criança, podemos desenvolver algum tipo de alergia ao leite e seus derivados, por não produzirmos a lactase, mas no decorrer da vida, a produção dessa enzima pode diminuir ou não produzir mais agravando o caso até se tornar intolerante à lactose. “Os graus de intolerância são classificados em leve, moderado e grave, sendo que o grave é quando o paciente não pode consumir nenhum derivado do leite”.
Combater a intolerância não há como, o que pode ser feito nos casos menos graves, é o uso de medicação para que a pessoa consiga consumir, moderadas quantidades de derivados do leite sem que sofram efeitos colaterais. Os principais sintomas são dores abdominais, dores de cabeça, vômitos, diarreias e náuseas entre outros variando o caso.
E Cristina afirma que são cada vez mais frequentes os casos de intolerantes, pois muitos pensam que os sintomas são apenas indisposições digestivas e não buscam tratamento, até que o médico indique um tratamento onde sejam retirados os alimentos contendo lactose e sejam feitos exames, muitas pessoas convivem com esse problema sem saber. “O diagnóstico é a melhor solução”, conclui ela.

Problema que surgiu na infância


Foto: Divulgação
O que fazer quando um dos principais alimentos presente em nossa alimentação causa reações adversas, e como saber o que realmente pode e não se pode dar a uma criança de dois meses de vida? Foi o questionamento que a mãe da estudante Juliana Fritsch precisou adaptar quando soube que a filha possuía alergia à proteínas do leite, diferente de ser intolerante à lactose.
Juliana conta que aos dois meses de vida, sua mãe começou à alimentá-la com leite em pó, pois com outro tipo de leite ela não ia aos pés e chorava por causa das cólicas, mas com o passar do tempo esses sintomas se agravaram, “Pela falta de conhecimento, eu ingeria leite todas as manhãs antes de ir para a escola, até que fui ao médico onde  ele detectou que eu estava com gastrite e refluxo gástrico” relata ela.
No caso de Juliana, não há medicação, por se tratar de uma alergia, ela precisa apenas manter-se longe de produtos derivados do leite. Às vezes, ela abre exceções ingerindo quantidades razoáveis desses alimentos, mas sabe que alguns minutos depois passará mal. Consumir alimentos leves, livres de lactose ou quantidades moderadas, essa é a realidade de Juliana, que hoje aprendeu à dosar e conhece bem suas limitações.




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Processo de adaptação

Processo de adaptação



Alguns casos de intolerância ou alergia à lactose que são descobertos depois de adultos, o que é mais complicado, pois você alimenta-se normalmente por muito tempo, até que um dia descobre que seu organismo não aceita mais qualquer tipo de alimento derivado do leite. Esses foram os casos de dois jovens, Bruno Labres e Stella Ferrari, que após algumas complicações de saúde, descobriram ter desenvolvido intolerância à lactose.
Foto Jonatan Trindade
O estudante Bruno Labres descobriu o problema em 2009, após sentir-se mal, com sintomas próprio de uma simples indisposição, porém após vários exames, inclusive dermatológicos pois haviam suspeitas de alergia à outros tipos de alimentos, foi constatado intolerância à lactose. Bruno conta que na família não há nenhum caso da doença, e que no começo, o processo de adaptação é difícil, mas com o tempo, passou á conhecer e saber o que ele pode ou não comer. 'É muito mais fácil adaptar-se à uma alimentação, do que sofrer os transtornos que ela oferece", conclui ele.
A auxiliar administrativa Stella Ferrari descobriu o problema em 2011, quando todos os alimentos que ingeria faziam mal, até que foi para o hospital desnutrida e com princípio de anorexia. Stella relata que o iogurte foi o desencadeador do problema e hoje ela evita tomar para não causar mais transtornos. Stella morava no interior e afirma que o leite em si ela não tinha por hábito de consumir, mas seus derivados sim, e o processo de adaptação foi difícil no inicio." Procuro cuidar a quantidade de lactose ingerida, mas nem sempre é  possível, às vezes descuidos acontecem", diz ela.

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Problema que surgiu na infância

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Entendendo o processo de produção


Foto: Jonatan Trindade


Alimentos orgânicos são aqueles produzidos ecologicamente corretos, ou seja, não prejudicando o meio ambiente, de forma sustentável e não afetando os recursos naturais. Suas vantagens nutricionais são muitas, como minerais e vitaminas. O cultivo desses alimentos preserva seu sabor original, que é mantido devido à ausência de produtos químicos e sua produção respeita o meio ambiente, evitando a contaminação do solo, água e vegetação. Mesmo com todos esses benefícios esse tipo de alimentação ainda não é um hábito unânime entre a população devido ao preço, que em algumas regiões custa o dobro dos convencionais.
Aqui em Santa Cruz do Sul, há o CAPA(Centro de Apoio ao Pequeno Agricultor), que é uma organização que trabalha junto ao pequeno agricultor dos três estados da região sul, incentivando o desenvolvimento rural sustentável e dessa forma baixando o custo da alimentação mais adequada e barata.Mas isso não é uma tarefa fácil, pois até o agricultor preparar sua terra para o plantio saudável, sem qualquer uso de agrotóxico, é necessário mão de obra pesada e especializada, o que acaba encarecendo o produto na hora de chegar na mesa da população.
Augusto Weber, é Técnico Agrícola da Ecovale( Cooperativa Regional de Agricultores Familiares Ecologistas Ltda) e juntamente com o CAPA explica o porque desse produto ser mais caro. " Alimento orgânico é mais caro porque a escala de produção é baixa, isso implica em maiores custos como frete, insumos e custos fixos, que são diluídos na produção. O segundo motivo é a lei de oferta e procura; já que a procura por esses alimentos ainda é menor que a oferta, o preço fia mais elevado."
O agricultor Dirceu Weber, morador do interior de Santa Cruz do Sul trabalha com o plantio de alimentos orgânicos à sete anos e garante, que o começo é complicado no sentido de adaptação do solo, retirando todas as impurezas do solo, para que seja 100% livre de agrotóxicos,o que acaba encarecendo o produto. " É toda uma preocupação com o solo, com a água e com o meio ambiente em geral, o que não acontece com a produção dos convencionais."
Consumir alimentos orgânicos em um primeiro momento pode ser cara, atraindo apenas os interessados em um estilo de vida mais saudável, porém se pararmos para pensar em todos os problemas futuros que estaríamos evitando, nos gastos com remédios e tratamentos de saúde, é viável mexer no bolso agora e usufruir de uma melhor qualidade de vida depois.

Mesmo custando mais,  alimentos conquistam mais adeptos













Cuidados com a saúde desde pequeno
"Todo e qualquer produto melhor, custa mais."
Mas o que as pessoas que são responsáveis por cuidar de nossa alimentação têm a dizer sobre uma alimentação orgânica? A nutricionista Aline Beatriz Wagner aponta porque consumir orgânicos e quais as principais vantagens á médio e longo prazo. " O fato de alguns alimentos orgânicos serem mais caros é neutralizado pelo maior benefício que eles proporcionam à nossa saúde. Porém, este valor mais caro é relativo, já que são efetivamente mais saudáveis.Não só á saúde humana, mas também à saúde do meio ambiente, que, por tabela, acaba refletindo na saúde humana."
Foto: Jonatan Trindade
Uma alimentação barata hoje, se torna cara em outros aspectos amanhã, e para Aline, um olhar mais detalhado nesse senti é de extrema importância. " Esse adicional de preço justo, que deve ser justo,e não 100% a mais, já implica tratar-se de um alimento de melhor qualidade, pois todo e qualquer produto melhor custa mais. Pensando de outro modo, os alimentos convencionais são mais baratos, mas qual o real valor de um alimento barato que promove a exclusão social do agricultor familiar, causa doenças e ainda degrada o meio ambiente? Que barato é esse? É preciso pensar de forma sustentável a médio e longo prazos, pois o barato hoje, acaba saindo caro amanhã."
Ela também salienta a importância dos orgânicos nos primeiros anos de vida. " O alimento orgânico é cuidado de uma forma natural na hora que é plantado, colhido e armazenado.Um ingrediente com agrotóxicos e conservantes acaba sendo um risco para a criança, pois pode causar intoxicações alimentares e alergias, que podem se manifestar em quadros de rinite e bronquite, e não apenas em problemas intestinais, como  muitos pensam, e os industrializados também são contra indicados, pois trazem inúmeros perigos como a obesidade infantil e desnutrição."

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Saúde que cabe no bolso

A acadêmica de biologia e jardinista Cristine Backes conta como aderiu a essa alimentação, e quais benefícios obteve. "Mudei de hábitos alimentares por questões de saúde, pois os agrotóxicos provocam inúmeras doenças. A agricultura convencional dispensa mão de obra humana, utilizando máquinas e implementos que logo bombardeiam os vegetais com defensivos, adubos químicos e outros. Sem contar os transgênicos, que já trazem em seu DNA produtos nocivos, e saber que tu te alimenta do que a natureza te dá, sem poluir e prejudicar o ecossistema, é maravilhoso."
Foto: Jonatan Trindade
Quanto ao preço, Cristine levantou o seguinte aspecto: " Infelizmente o preço dos orgânicos ainda é mais alto do que os convencionais, possivelmente por ser uma cultura quase artesanal. Porém o fato de ser mais caro (produtos beneficiados, como arroz, feijões, farinhas), não prejudica tanto assim o bolso se tu perceberes que está economizando em medicamentos,consultas médicas e outros gastos oriundos de uma alimentação inadequada. Não acho que tenha mudado muito meus custos com alimentação, pois como  carne há mais de dois anos, e na minha opinião, esse sim é um alimento caro e dispensável."
Com esse depoimento de Cristine, percebemos que a alimentação saudável não está tão distante assim da realidade do brasileiro, pois se analisarmos as "trocas" feitas nesse processo de reeducação alimentar, no final das contas os valores são os mesmos e os benefícios bem mais em conta.

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